O “efeito Jair Bolsonaro” nas eleições 2020: conservadores em “partidos progressistas” e progressistas em “partidos conservadores”

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Até as eleições de 2018, quando o então candidato à presidência da república Jair Messias Bolsonaro fez potencializar a ideia de inexistência de partidos de direita no Brasil, se tornando o maior símbolo conservador na política brasileira, as pessoas consideravam que partidos como o PSDB e o PMDB eram “partidos de direita”. E que políticos como Fernando Henrique Cardoso e José Serra, eram os símbolos à direita da nação. A ascensão Jair Bolsonaro foi um balde de água gelada na visão da maioria dos brasileiros. Um banho de purificação nas análises – “algo está errado”.

O motivo dessa percepção errônea por parte da sociedade, segundo o filósofo Olavo de Carvalho, foi a “Estratégia das Tesouras”, usada pelos comunistas para dar a impressão de que nos pleitos eleitorais existia uma “disputa” entre lados opostos, quando, na verdade, os dois lados faziam parte do mesmo grupo político.

Esses são os partidos de esquerda que o conservador Jair Messias Bolsonaro já foi filiado:

Partido Progressista Reformador (1993-95)

Partido Progressista do Brasil (1995-2003)

Partido Trabalhista Brasileiro (2003-2005)

Partido Frente Liberal (2005)

Partido Progressista (2006-2016)

Partido Social Cristão (2016-2017)

Partido Social Liberal (2018-2019)

Mesmo após a verdade vir à tona, pessoas insistiam na ideia velada de que “por você fazer parte de um partido mais à esquerda” ou “se tem corruptos no seu partido, você é influenciado por eles”. O próprio Jair Messias Bolsonaro, durante a sua campanha, disse, “eu estive em partidos que tem pessoas investigadas e condenadas na Lava Jato e em outras operações, mas não é porque tem laranjas podres no saco que eu vou me contaminar”, quando foi questionado por Mirian Leitão acerca da sua participação na base aliada do Partido dos Trabalhadores – PT.

Todos os partidos são partidos políticos. Nenhum dos partidos em questão são genuinamente conservadores. Alguns deles, como o PP, o PFL, o PSL e o PSC, tem ou já tiveram pessoas envolvidas em investigações. Falar desse histórico do presidente Jair Bolsonaro é importante, porque, em vista do coletivismo que há na ideia de “utilidade” de partidos políticos, ou seja, como é difícil lembrar das peculiaridades e singularidades dos indivíduos quando se pensa em um “partido”, é possível que pessoas honestas sejam injustamente atreladas aos erros de outras pessoas.

Claro que há sim dois pesos e duas medidas. Não tem sentido um Partido como o Partido dos Trabalhadores (PT) ser incluído neste caso, porque, além de uma quantidade muito grande de políticos ser pega na prática corrupta (mensalão, petrolão..), a esmagadora maioria de seus filiados insistem em defender tais práticas – alegando a inocência dos envolvidos, mesmo diante de tantas provas.

A ideia de candidaturas avulsas é extremamente necessária. Há uma depreciação da verdade certa e clara, em virtude dessa situação. Ora, um político progressista, sabendo da possível aversão da sociedade acerca da sua ideologia, pode migrar de um partido para outro, no sentido de “fugir e negar” as raízes para não perder apoio. Como laranjas podres que são colocadas no meio de outras laranjas que aparentemente estão boas, para que as (os) podres não sejam evitadas (os) pela clientela (eleitores).

O último partido de Bolsonaro foi PSL. Há muitos políticos na sua base neste partido, porém, como já sabido e noticiado por outras mídias, houveram muitas reviravoltas nos últimos meses e muitos parlamentares abandonaram Bolsonaro, como na maioria de partidos pelos quais o presidente já passou. Dentro do PSL, segundo o site Estado de Minas, existe uma divisão de bases de apoio, a mais exposta é a entre Bolsonaro e o Deputado Federal pernambucano Bivar (presidente do PSL).

Dentro do exposto, há uma imensidão de pessoas fugindo dos “velhos grupos políticos”. Em níveis municipais principalmente! Se você ainda não entendeu a mensagem desse texto, lá vai: Não existem partidos políticos progressistas ou conservadores, só existem indivíduos progressistas ou indivíduos conservadores. O desafio é identificar quem é quem.

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